GANGORRA AFETIVA

   
   

Psic. Nivaldo Campana

Curitiba, março/2006

ncamp@uol.com.br

http://www.condonare.com.br/psicologia.htm

 
 

 

          O equilíbrio de uma gangorra, aquele brinquedo dos parques infantis, vai depender do peso em seus extremos e da distância ao centro de apoio. Se estiver bem equilibrada é possível mantê-la na horizontal, estável. Se um dos participantes da brincadeira deslizar-se na direção do outro, a gangorra irá pender para o outro lado. Se ambos se aproximarem ou se afastarem suavemente na mesma medida e ao mesmo tempo conforme o movimento do outro, o equilíbrio permanecerá.

          Assim também se assemelham as relações humanas de amizade, amor ou paixão. O equilíbrio de afeto entre duas pessoas envolvidas nesses vínculos vai depender do comprometimento que cada uma delas investe na relação. Comprometimento desigual afeta o equilíbrio, como ocorre na gangorra. Há relações comprometidas e equilibradas onde ambos os lados ficam muito próximos, mas há também relações comprometidas e equilibradas onde os dois ficam afetivamente bem distantes entre si. O desequilíbrio se acentua quando um se afasta e o outro tenta se aproximar, instantaneamente, para recuperar o equilíbrio.

          Então, quando um se afasta, deve o outro afastar-se também? Sim, num primeiro momento, na mesma proporção do afastamento do outro, e no mesmo instante. Esta atitude não deve significar desistência da relação, nem retaliação, mas antes uma estratégia para manutenção do equilíbrio e dar tempo para avaliação melhor das razões que levaram o outro a afastar-se. Na grande maioria das vezes o esfriamento do outro nada tem a ver com incidentes na relação, mas com algum momento vivido fora desse vínculo, com alguma experiência que momentaneamente esteja tomando o foco de sua atenção. Confirmado este o motivo, nada como o espírito de companheirismo para aguardar a fase passar, ou como o oferecimento do ombro discretamente, sem cobranças enciumadas.

          Na minoria das vezes o afastamento do outro pode, sim, caracterizar-se por algum ressentimento de difícil confissão no vínculo. Novamente, a estratégia de afastar-se discretamente num primeiro momento, na mesma proporção do afastamento do outro, e no mesmo instante, irá funcionar bem para manter o equilíbrio da gangorra afetiva e dará o tempo necessário para avaliação sobre o que estaria acontecendo, sem cobranças mal humoradas. Forçar uma aproximação intempestiva e instantânea poderia agravar o desequilíbrio afetivo desfavorecendo o ambiente para um diálogo esclarecedor.

           Afinal, quanto tempo deve-se esperar nesse tal "primeiro momento" para avaliação sobre o que estaria acontecendo antes de se procurar o outro para um diálogo esclarecedor?

           Resposta: O mínimo possível. Que tal no máximo 5 minutos?

           Se os sintomas persistirem, procure seu psicólogo. n