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O CONTÁGIO DOS NEURÔNIOS-ESPELHO |
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Psic. Nivaldo Campana Curitiba, agosto/2011 |
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Sabe aquele sujeito que vive criticando, reclamando de tudo ou falando mal de todo mundo? Aquele, que parece estar de mal com o mundo, que se acha azarado, que o Universo conspira contra si? Aquele, do qual as pessoas fogem ou se afastam discretamente? Um viciado em mau humor? Pois, é. Essa pessoa pode ser você, sem se dar conta disso. Todos nós temos um pouco dessa pessoa, de vez em quando. A diferença é que alguns ficam viciados em reclamar o tempo todo, justificando tal vício com o falso pensamento de que são realistas ou "críticos intelectuais da realidade". Têm a mesma convicção de José Saramago quando dizia ser a crítica amarga mais atraente às pessoas. Saramago veio de ser-amargo? Acho que ele opinava amargo para chamar a atenção, porque na verdade era um doce romântico, apaixonado por uma mulher bem mais jovem até o final da vida. (Ou ela que era doce.) Bem, voltando ao cara chato, ou a gente se afasta, ou fica igual a ele. Isso porque estados mentais são a base neurológica para as diversas formas de expressão dos sentimentos, bons ou maus. Aparecem como aquele estado de intolerância ou paciência, aborrecimento ou compreensão, bem-estar ou mal-estar, irritação ou serenidade, ansiedade ou calma, tristeza ou alegria, medo ou raiva e outros mais, pelos quais eventualmente passamos. Flutuamos de um estado para outro no dia-a-dia dependendo da situação que vivenciamos. Não dá para esconder o estado mental intenso das pessoas atentas, sensíveis e perspicazes. Estudos indicam a hipótese dos neurônios-espelho que explicaria por que pessoas próximas tendem a ser estimuladas reciprocamente aos mesmos estados mentais. O senso comum chama isso de "clima" do ambiente. Neurônios-espelho ativam-se em determinadas regiões do cérebro estimulados pela presença de alguém cujos sentimentos, ações ou intenções apresentam seus neurônios ativados numa região cerebral equivalente da do afetado. Em outras palavras, o estado mental é algo contagiante. Muita gente sabe disso, mas quase ninguém se dá conta de utilizar esse fenômeno para o bem-estar e qualidade de vida. Diante dessa constatação, é preciso ficar atento para o nosso próprio estado mental e o estado mental das pessoas que nos cercam – mas sem alarde pra não virar paranóia. Por isso é importante que a gente se policie para cultivar o hábito do bom humor. Sim, é uma questão de hábito. Além de fazer bem para a saúde, há grandes chances de a gente contaminar o ambiente com mais alegria, mesmo sabendo que a maioria não está nem aí para o próximo que está próximo. Daí minha sugestão: exercitar a capacidade de perceber o alheio, captar-lhe o estado mental. Cultivar o hábito do bom humor interior e expressá-lo mesmo diante dos desanimados, irritados ou agressivos, porém cautelosamente, evitando expressá-lo em situações inadequadas. O maior beneficiário desse exercício seria o próprio que o pratica. Mantendo um bom humor latente, respeitoso, evitamos as nossas irritações gratuitas, as nossas implicâncias com as insignificâncias, as nossas observações maliciosas ou insidiosas. É possível sermos pessoas melhores, agradáveis, que sabem ouvir, que mantêm um clima leve mesmo diante de uma cena irritante. O nosso coração agradece e, ao final, a longevidade com boa qualidade de vida valerá a pena.■ |
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