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PNA - Pensamento Negativo Automático |
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Psic. Nivaldo Campana Curitiba, março/2008 |
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Talvez, para se contraporem ao "complexo de Pollyanna", uma crítica ao livro de Eleanor Porter onde a personagem procura motivos para ficar contente com qualquer situação por pior que seja, algumas pessoas exageram na sua conduta crítica e acabam vendo só o lado negativo de tudo. Parece que estão "de mal com o mundo". Tais pessoas nem percebem o quanto seus pensamentos são negativos e automáticos. É uma espécie de defesa inconsciente talvez decorrente de não saberem lidar com as frustrações do tipo "é melhor esperar o pior para não me decepcionar depois". Deixar-se levar por pensamentos negativos automáticos, além de caracterizar uma pessoa "chata", faz mal à saúde. Há evidências científicas de que qualquer pensamento, bom ou mal, libera agentes químicos no corpo. Os bons pensamentos são relaxantes, enquanto os maus acionam os mecanismos de tensão. Para o senso comum isso não é novidade. Mas, como identificar um pensamento negativo automático? Tais pensamentos são de vários tipos, mas vamos aqui mencionar apenas cinco deles. a) Quando faz generalizações, ou seja, estende para todas as circunstâncias um acontecimento particular. Introduz as palavras sempre, nunca, ninguém, todo mundo, nada, e por aí vai. Por exemplo: Ela sempre gasta dinheiro em supérfluos. Ele nunca me dá ouvidos. Ninguém me valoriza. Todo mundo tem problemas psicológicos. Nada me tira do sério. Não há problema quando esse tipo de frase é usado como força de expressão. O problema aparece quando reflete uma falsa crença, ou seja, exclui a possibilidade de questionar sua veracidade e a considera ao pé da letra. Ao dizer e acreditar que "ela sempre gasta em supérfluos", há uma predisposição para classificar de supérfluo algo de útil que ela tenha comprado. b) Um segundo tipo de PNA é aquele que emerge culpando alguma coisa ou alguém pelas próprias frustrações. Esse pensamento tende a enfraquecer qualquer iniciativa do acusador para mudar a situação porque atribui a outro a capacidade e a responsabilidade da mudança. Prefere não ver que, se algo deu errado, é possível fazer alguma coisa para corrigir ou pelo menos minimizar seus efeitos. Culpar o outro implica a falsa crença de que só o outro pode resolver a situação. c) Um terceiro tipo reflete a tortura pelo sentimento de culpa. Aparece no imaginário com as palavras "eu poderia", "eu deveria", "eu queria". É um pensamento também imobilizador como aquele de imputar culpa aos outros, porque, além de ser improdutivo, alimenta o sentimento de impotência. Melhor seria substituir aquelas palavras por "eu posso", "eu devo", "eu quero", mais apropriadas para a ação. d) Um quarto tipo supõe o poder de ler a mente do outro. O imaginário tem a falsa crença de que sabe aquilo que o outro está pensando, mesmo que nada lhe tenha sido dito. Na real, ninguém pode ler a mente de ninguém. Presumir o pensamento dos outros pode levar a situações constrangedoras, quando não cria injustiças gratuitas. Pode-se flagrar a si próprio tentando ler a mente do outro quanto se pensa, por exemplo, “ele(a) ri porque está caçoando de mim”, ou, “ele(a) está pensando que eu sou bobo(a)?”, ou ainda quando imagina “ele(a) está se aproveitando de mim”. Esse tipo de PNA é a semente da paranóia que, depois de instalada, o doente fica imaginando que o mundo inteiro conspira contra si. e) Um quinto tipo de PNA gera a eterna insatisfação decorrente de uma escolha. Geralmente a pessoa tem dificuldade de fazer escolhas e finalmente quando se decide é torturada pelo pensamento negativo de que poderia ter escolhido melhor. É possível buscar outros tipos de PNA cuja característica principal é a alteração química do corpo produzindo tensão. Claro que há situações onde o mínimo de estresse é necessário e adequado. Mas estamos focalizando aqui aqueles que são "automáticos", como um vício que não se percebe e que causam tantas tensões desnecessárias. Policiar a si próprio e identificar tais pensamentos negativos é o primeiro passo para evitar que sejam "automáticos". Afinal, não é qualquer um que irá dizer a você o quanto está sendo "chato" ao ser tão negativo.¢ |
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