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RESPONSABILIDADE E CULPA |
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Psic. Nivaldo Campana Curitiba, março/2008 |
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O senso comum, como sabemos, parece não distinguir com clareza entre os conceitos "responsabilidade" e "culpa" quando algo sai errado. "Quem é o responsável por isso?" seria sinônimo de "quem é o culpado por isso?". Partindo do pressuposto de que culpa implica punição, fica mais claro distingui-la da responsabilidade, embora no meio jurídico haja uma sinonímia pelo conceito de responsabilidade criminal e culpa. Ser responsável por um evento implica dizer que para tal evento há alguém que responde por ele, tanto positiva como negativamente. Se positivo, merece elogios. Se negativo, não implica necessariamente punição. A punição deveria decorrer somente da culpa. Se um evento foi negativo resta a análise das conseqüências. Se causou prejuízo deve ser ressarcido, não como ato de punição, mas como ato de responsabilidade. A punição, decorrente da culpa, implica algo mais que o simples ressarcimento de um prejuízo causado. A punição implica constrangimento psicológico, desvalorização da pessoa, humilhação, perda da liberdade com prisão e até perda da própria vida na barbárie da pena de morte. O ressarcimento, decorrente da responsabilidade de algo que saiu errado, como no caso do recall das montadoras de veículos, implica uma certa valorização psicológica, credibilidade e até mesmo algo merecedor de elogios. A psicologia deve ficar atenta para evitar a intuição indiscriminada da culpa exatamente porque o senso comum a correlaciona com punição. E a punição intuída nos relacionamentos interpessoais alimenta a implicância, a humilhação e a desvalorização da outra pessoa de modo sutil ou explícito. Isso tudo quando não é para fugir do próprio sentimento de culpa subjacente que se nega a si ao culpar o outro. Admitindo uma sutil diferença entre culpa e responsabilidade, é possível verificar que nem sempre há culpados e daí fica mais fácil dividir responsabilidades para assumir as correções em conjunto, algo elogiável. Isso se aplica maravilhosamente bem na relação entre papai e mamãe na hora de avaliar a educação dos filhos. Afinal, nem tudo que a criança é hoje foi conseqüência da educação recebida.n |
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